Economia Criativa, um pouco do histórico de um conceito amplo de desenvolvimento

Com o crescente processo de desindustrialização convivendo simultaneamente com a globalização e a evolução exponencial das empresas digitais, o termo Economia Criativa ganha ainda mais força. Enraizado profundamente em pilares econômicos do século 21 – a cultura, a ciência, a tecnologia e a sociedade do conhecimento -, o conceito é abrangente e pode gerar dúvidas.

Aproveitamos a ocasião da 2ª edição do Prêmio Brasil Criativo para esclarecer pontos importantes do que é este movimento econômico em ascensão. Primeiro, vamos voltar no tempo para a primeira fase da concepção do conceito de Economia Criativa. Em 1994, em um discurso do primeiro ministro da Austrália as palavras “nação criativa” foram usadas para identificar e reforçar o envolvimento com as novas mídias e avanços tecnológicos para estimular o país.

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Já na Inglaterra, em 1997, diante de um cenário de retração do parque industrial comum, o então primeiro ministro Tony Blair fez uma série de discursos frisando a importância da criatividade como elemento crucial para o futuro de um país de sucesso.

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Um trabalho foi desenvolvido para entender quais setores da economia inglesa se despontavam no período. Constatou-se que a cultura, o turismo, a educação e outros campos, que totalizaram 13 áreas, tinham maior propensão a impulsionar o país e logo o conjunto de setores passou a ser chamado de Indústrias Criativas.

Havia certo diálogo e barreiras menos resistentes entre profissionais de áreas como o design, moda, cinema, artes plásticas, música e etc. Esta conexão passou a ser incentivada e estudada pelo governo, pois a criatividade antes vista como um fragmento dentro de uma esfera econômica passou a ser o item em comum entre ramos de sucesso.

À princípio, as Indústrias Criativas estavam mais associadas às artes, o que deixava mais nítida a transição de uma economia industrial para uma de conhecimento. No entanto, só em 2001, com o lançamento do livro “A Economia Criativa – Como pessoas ganham dinheiro com ideias”, de autoria do papa do setor John Hownkis, o termo migrou de Indústria Criativa para o que usamos atualmente.

O livro defende oito segmentos (arquitetura, artes, moda, cinema, literatura, artes cênicas, design e audiovisual) como centrais dentro da Economia Criativa. Embora hoje em dia seja possível incluir setores de tecnologia, games, aplicativos, softwares, e visões distintas para solucionar problemas ou resolver situações com engenhosidade dentro do espectro da Economia Criativa.

Em 2004, concretizando a segunda fase de implementação do conceito, a ONU discute a Economia Criativa como ferramenta para o desenvolvimento das nações. No Brasil, a terceira fase de consolidação do conceito se estabelece com a criação de uma secretaria de Economia Criativa dentro do Ministério da Cultura. O debate nasce durante a gestão do então ministro Gilberto Gil para se firmar em 2012 com a regulamentação da secretaria.

Ótica distinta

A realidade é que a Economia Criativa sempre existiu. Trata-se de um jeito diferente de encarar situações e problemas que já existem com uma ótica distinta que com o debruçar de forças governamentais pode ir mais longe, se organizada e fomentada, e converter-se em gerador de renda. Podemos definir Economia Criativa também como um conjunto de atividades geralmente de caráter intelectual, sem necessariamente ser material, que usa a inovação como recurso para contribuir com a sociedade de diversas maneiras. É a economia do intangível.

A internet foi apenas uma intersecção, um canal que possibilitou o estreitamento de laços e formação de rede entre empreendimentos e iniciativa criativas que antes eram vistas como marginais por não serem tangíveis como siderúrgicas ou automobilísticas. Hoje a receita que ideias surgidas de dentro de garagens ou de grupos de universidade pode impactar desde um município ao planeta inteiro.

No entanto, o conceito de Economia Criativa ainda está sendo construído e devidamente compreendido. Portanto, vai muito além de política cultural, inserção de mercado e presença em feiras de artesanato. Exatamente por isso um ambiente favorável ao desenvolvimento destas iniciativas é necessário e fundamental.

Ainda mais no Brasil, onde a diversidade de culturas, costumes, ideias, expressões e manifestações artísticas se espalha em um território gigantesco e fértil para iniciativas de ouro. Disto resulta a necessidade de liberdade, financiamento e acesso a treinamentos e estudos que confiram habilidades e, consequentemente, habilidades para reverter sonhos em competitividade.

* O Prêmio Brasil Criativo é uma realização da ProjectHub com apresentação da 3M e apoio da Heineken.